Introdução
A vida é um sopro e o tempo passa como um rolo compressor. Parece que foi ontem, mas faz exatamente 1 ano que escrevi sobre como tá o desenvolvimento Front-end em 2025 e o que esperar do futuro
Relendo aquele texto percebo que o que falei não só se confirmou como acelerou num ritmo que eu nem imaginava. E mais impressionante ainda: as mudanças não vieram de “novas tecnologias revolucionárias”, mas sim da evolução natural do que já vínhamos fazendo e, principalmente, da consolidação definitiva de AI como parte integral do fluxo de trabalho
De repente pisquei e já estamos em 2026!
O que de fato rolou em 2025?
Nos últimos anos, vimos a consolidação dos principais frameworks e, em 2025, essa tendência não só continuou como acelerou em algumas frentes específicas que vale a pena destacar
React e o ecossistema Next.js
React continuou dominante, com o ecossistema em torno do Next.js evoluindo rapidamente. Server Components e Server Actions, que em 2024 ainda eram novidade e geravam discussões, em 2025 se consolidaram como padrão de mercado em cada vez mais projetos modernos [page:1]
O Next.js 15 (e agora o 16 já chegando) trouxe melhorias significativas de performance, DX e padrões de arquitetura que facilitam desde projetos pequenos até aplicações complexas em produção
A convergência dos frameworks
React, Vue e Angular seguiram num movimento de convergência interessante: cada um mantém sua identidade e filosofia, mas todos abraçam ideias e padrões cada vez mais parecidos [page:1]
Componentização forte, tipagem robusta, boas práticas de arquitetura, foco em DX e integração cada vez mais fluida com back-end e edge. Na prática, a discussão deixa de ser “qual é o melhor framework” e passa a ser “qual faz mais sentido pro contexto do time, do produto e do momento da empresa”
Front-end tá num momento foda 😛
As principais soluções passaram no filtro do tempo e é legal ver algumas features se tornando nativas no JS e até no CSS
Frameworks tão cada vez mais otimizados e focados em coisas como DX, Arquitetura e etc
Só ferramentas muito boas sobrevivem
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [January 27, 2022](https://twitter.com/felipefialho/status/1486707566738649094?ref_src=twsrc%5Etfw)
DevOps e Front-end: casamento consolidado
DevOps se atrelou de vez ao Front-end. CI/CD, containers, observabilidade e edge computing deixaram definitivamente de ser “nice to have” e viraram parte esperada do skillset de quem trabalha com produto real em produção [page:1]
Você que trampa com Front-end/Back-end também curte desenrolar umas tarefas mais DevOps como configuração de containers, CI/CD, otimização de pipelines e etc?
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [May 3, 2022](https://twitter.com/felipfialho/status/1521519097426628608?ref_src=twsrc%5Etfw)
A fronteira entre “só Front-end” e “infra” ficou mais difusa, e isso é positivo: aumenta a visão de sistema, a consciência de performance, custo e experiência do usuário final
TypeScript como padrão
TypeScript deixou definitivamente de ser diferencial ou “aquela coisa polêmica” e virou requisito básico em qualquer projeto minimamente sério, principalmente em times grandes, produtos de longa duração e contextos em que refatorar com segurança e manter consistência de tipos faz diferença real no dia a dia [page:1]
AI saiu da promessa pra realidade
E claro, 2025 foi o ano em que AI deixou definitivamente de ser promessa ou hype e virou ferramenta obrigatória. Ferramentas como Cursor, Copilot, Claude e similares entraram no fluxo diário de trabalho, ajudando a navegar código legado, gerar testes, propor refatorações e acelerar tarefas repetitivas
Pra quem abraçou bem essas ferramentas, o “baseline” de produtividade mudou completamente de patamar
E o mais importante
2025 mostrou de vez que o trampo dev não é sobre digitar código, e sim sobre tomar decisões com responsabilidade, entender contexto de negócio e ter uma visão ampla do problema e da solução [page:1]
Escrever código é só uma etapa, a maior parte do trampo dev é intelectual
Analisar contextos, cenários, regras de negócio, deixar escalável em várias camadas com processos e algoritmos
Quem ainda não entendeu isso e acha que é só codar, de fato precisa se preocupar com Chat GPT
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [January 6, 2023](https://twitter.com/felipefialho/status/1611363075889700864?ref_src=twsrc%5Etfw)
O que esperar de 2026?
Penso que o futuro, assim como falei em 2025, não promete grandes revoluções tecnológicas, mas sim mudanças na forma como trabalhamos, decidimos e entregamos valor [page:1]
Front-end é o que “dá liga”
O papel de fazer interface entre design, produto, negócio e tecnologia fica ainda mais importante e estratégico
Cada vez menos sobre “pintar botão” ou “implementar aquele layout”, cada vez mais sobre ajudar a decidir o que faz sentido pro usuário, o que cabe no escopo e cronograma, o que tem impacto real no negócio e como traduzir tudo isso em soluções técnicas viáveis e sustentáveis
Quando você não tá codando, mas tá
- Revisando códigos
- Melhorando processos
- Ajudando alguém do time
Ou mesmo organizando ideias e pensando na melhor forma de resolver problemas, você tá atuando em coisas essenciais
Programação não se limita na quantidade de código escrito
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [October 20, 2023](https://twitter.com/felipefialho/status/1715370786830131708?ref_src=twsrc%5Etfw)
O escopo de atuação do Front-end continua se expandindo, com devs atuando cada vez mais como “pontes” entre diferentes áreas, como design, produto, marketing, vendas e não só como “quem escreve o código” [page:1]
Arquitetura > Sintaxe
Conhecimentos mais generalistas como arquitetura de software e integração de tecnologias tendem a ser mais valorizados do que especializações em bibliotecas específicas, que podem ser substituídas com mais facilidade [page:1]
Saber sintaxes em detalhes continua importando, mas importa menos do que pensar em escalabilidade, performance, manutenibilidade e como integrar tudo isso num sistema que não quebra no primeiro requisito novo que aparece
Cada vez mais, a parte de “lembrar a função certa” ou “qual propriedade usar” é resolvida por AI, autocompletes inteligentes e boas ferramentas. O que não dá pra terceirizar é a capacidade de:
- Pensar escalabilidade desde o começo
- Cuidar de performance de forma sistêmica, não só micro-otimizações
- Garantir manutenibilidade e clareza de código para outras pessoas e para o “eu do futuro”
- Desenhar limites entre módulos, contratos entre serviços e fluxos que fazem sentido
Componentes UI e produtividade
Bibliotecas e frameworks de componentes UI como Tailwind, shadcn/ui, MUI e similares tendem a ser cada vez mais utilizados, por dois motivos principais:
Primeiro porque LLMs lidam muito bem com essas bibliotecas, já que elas têm padrões consistentes e documentação estruturada
Segundo porque aumentam produtividade real sem abrir mão de consistência visual, acessibilidade e facilidade de manutenção
O esforço sai de “como eu escrevo isso em CSS/JSX do zero” e vai pra “qual componente ou abstração faz mais sentido aqui”, “como isso impacta a experiência do usuário” e “como isso se encaixa no design system sem virar gambiarra técnica”
Comunicação como hard skill
A capacidade de abstrair problemas, explicar decisões técnicas com contexto, negociar escopo de forma realista e comunicar soluções (pra humanos e pra AIs) pesam cada vez mais na carreira
Programação tem muita ligação com o campo da filosofia
Quando escrevemos algoritmos estamos fazendo um exercício filosófico de refletir sobre um problema pra chegar numa solução traduzida códigos, é uma abstração lógica do seu próprio raciocínio
Matemática é filosofia aplicada
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [April 15, 2024](https://twitter.com/felipefialho/status/1779873487248663026?ref_src=twsrc%5Etfw)
Num cenário em que AI depende fundamentalmente de boas instruções, comunicar bem virou hard skill, não só “soft skill” opcional ou “coisa de RH” [page:1]
Quando a gente fala de comunicação, não é só saber falar bem, mas sim saber ouvir, entender e traduzir as necessidades do cliente e do usuário em código, e também saber explicar suas decisões e defender suas ideias [page:1]
Pra devs, isso significa concretamente:
- Descrever problemas de forma clara e estruturada
- Explicar decisões técnicas com contexto de negócio
- Negociar escopo sem virar o “não dá” automático ou o “dá um jeito” irresponsável
- Escrever specs, requisitos e documentação que humanos e AIs consigam entender
- Dar e receber feedback construtivo
Comunicação é uma abstração do seu próprio pensamento [page:1]
Quanto melhor você souber se comunicar, melhor você vai conseguir traduzir suas ideias em soluções que resolvam problemas reais
E as AIs?
Não adianta mais ser negacionista em relação ao impacto de LLMs. As coisas mudaram e não tem mais volta
Vamos escrever cada vez menos código “na unha” e cada vez mais orientar, revisar e orquestrar sistemas inteligentes
Engenharia de contexto, specs e orquestração
Já dá pra notar com clareza o surgimento de soluções focadas em tornar o desenvolvimento com LLMs mais eficiente e profissional, indo além do “escrever um bom prompt”
Três frentes se destacam:
Engenharia de contexto: pensar arquitetura aplicada ao uso de LLM. Não é só “o que pergunto” ou “como pergunto”, mas sim o que o modelo precisa saber, o que NÃO devo mandar (contexto desnecessário que polui e custa caro), como reutilizar conhecimento e como evitar pagar duas vezes pelo mesmo contexto. No fim do dia, a palavra é eficiência
Specs e requisitos bem estruturados: LLMs não fazem mágica, longe disso. Quanto mais claro o problema, as restrições, o formato esperado de saída e o contexto de negócio, mais útil e confiável o resultado. Escrever boas especificações e requisitos virou parte da stack técnica, não burocracia opcional
Orquestração e MCPs: integração com Model Context Protocol e novas ferramentas vai justamente nessa direção, montar sistemas de AIs em vez de só chamar um modelo isolado. Uma AI sozinha tem um output ok. Várias AIs conectadas, com ferramental e escopos bem definidos, começam a resolver fluxos e problemas complexos de ponta a ponta com muito mais qualidade
O desafio deixa de ser “escrever bons prompts” e passa a ser desenhar fluxos onde diferentes AIs, serviços e fontes de dados se combinam pra resolver problemas reais de forma previsível, eficiente e economicamente viável
O papel de quem desenvolve muda, não desaparece
No meio disso tudo, o papel de quem desenvolve não desaparece, ele muda significativamente
Menos foco em escrever cada caractere manualmente, mais foco em:
- Decidir o que vale a pena construir
- Como encaixar isso em arquiteturas existentes sem criar débito técnico
- Como manter código e processos saudáveis a longo prazo
- Como garantir que aquilo que a AI gera faz sentido técnico, de negócio e de custos
O trabalho de devs não vai ser substituído por Inteligência Artificial, mas devs que não se adaptarem a essas ferramentas fatalmente vão ser substituídos por pessoas que fazem bom uso delas [page:1]
Conclusão
As mudanças tendem a ser mais na forma com que fazemos as coisas que já fazemos agora do que nas tecnologias em si [page:1]
É possível (e provável) que a gente automatize cada vez mais a criação de componentes e aplicações, mas usando ferramentas que por debaixo dos panos vão gerar código utilizando as mesmas tecnologias que já usamos: HTML, CSS, JavaScript, React, TypeScript, Next.js e afins
Por isso ter ótima comunicação, capacidade de abstração suficiente pra tomar boas decisões de arquitetura e conhecimentos em DevOps são extremamente relevantes. Não é tanto mais sobre saber a sintaxe de uma linguagem no micro, mas sim sobre saber como integrar tecnologias e pessoas [page:1]
Todas essas mudanças já estão acontecendo de forma gradual e a tendência é que se consolidem ao longo de 2026
E lembre-se que no mercado de tecnologia, se você não continuar estudando, se atualizando e se adaptando a essa nova realidade, você não fica simplesmente estagnado
O lance é que não existe estagnação em carreira tech
Se não continuar estudando, se atualizando e se aperfeiçoando em diversos aspectos, você não fica simplesmente estagnado(a)
Você piora
— felipe.tsx ⚡ (@felipefialho) [February 17, 2022](https://twitter.com/felipefialho/status/1494293157785346054?ref_src=twsrc%5Etfw)
Bora pra 2026! 🚀